existência


Nocturne (Lars Von Trier)



eu flutuava pela cidade em mim deserta. andava vagarosamente por ônibus vazios. eu gosto do trecho do percurso em que consigo ver as luzes da cidade distante. tive náuseas de medo. é horripilante não saber em qual segundo poderei inexistir. quando atravesso a esquina, posso ver as estrelas.

volto a me sentir uma camponesa, cercada por campos limpos. em dias nublados eu sou um barco que navega em meu mar interior. velejar-me. ora velejo, ora caminho por florestas transcendentais. minha escrita agora se torna densa e escura. eu gosto da escuridão, 'eu tenho tanto medo das coisas que luz pode esconder' minha concha é confortável, meus sentimentos estão seguros nela. desde de criança preservo o que sinto nos versos, não há nada sobre escondê-los. o silêncio sempre foi meu maior companheiro, apesar de agora ele parecer um amigo distante.



mystic




um punhado de noite nas mãos
eu sou assim mesmo
distante
minha estrela é ardente
oh lua mística!
há noites que sinto tua luz em meu peito